País dividido

POR QUE ESTOU FAZENDO ISSO?
Durante toda eleição respeitei a candidatura de Jair Bolsonaro – o chamando sempre por seu nome. Me solidarizei quando ele sofreu o atentado, como se a democracia também estivesse sido esfaqueada. Procurei ser justo, humano e contido diante de todo o caos e comoção que se formou.
Tenho muitos amigos, parentes, familiares e colegas de trabalho que são seus eleitores. Até onde me consta, não desfiz nenhuma amizade por isso, e continuei respeitando as pessoas que conheço, mas pensam diferente. Democracia tem de ser assim.
Acredito, inclusive, que o próprio Bolsonaro não será louco ou inconsequente em seu governo. O problema são as pessoas “comuns” que levaram esta ideia ao extremo e espalharam ódio e violência. Estes, não terão jamais o meu respeito.
Em pleno século 21, não há mais espaço para o atraso humano.

Quanto ao PT, lamento dizer que o partido sustentou uma mentira chamada “Lula Livre”. E pagou caro por isso nas urnas. Não é um preso político. É um político preso. Não é deus. É um criminoso e tem que pagar pelo que fez, tal qual qualquer outro corrupto. Lula inflou um discurso de “nós contra eles” que só piorou o momento que estamos vivendo. A candidatura de Lula foi para tripudiar da justiça e enganar os eleitores. Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a lei. Haddad é o candidato. Deveria ter sido assim desde o começo. Não perdoarei o PT jamais, por tudo que fizeram contra o Brasil.

E, tentando separar as pessoas dos partidos, reitero o que disse no Twitter: “Haddad é o cara certo no partido errado”. Quem sabe um dia ele mesmo reconheça isso.
https://twitter.com/DaviBottini/status/1037880449081782272

Jair Bolsonaro já ganhou essa eleição. Quase no primeiro, mas certamente no segundo turno. Tenho plena consciência disso, e não acredito que será diferente.
Foi a vontade do povo. Democracia é isso. O Brasil é assim.
Não houve golpe ou fraude. Foram votos.

Não sou PT. Não sou Bolsonaro. Poderia até me abster.
Sou Marina, Eduardo Jorge, Ciro Gomes. Posso até ser Amoêdo.
Mas escolhi morrer junto do lado derrotado desta guerra.
Porque não vou ficar neutro diante do que está acontecendo.
Eu sei o que está acontecendo no Brasil.

COMO ISSO ME AFETA?

Em 2014, Eduardo Jorge foi duramente criticado por apoiar o PSDB contra o PT no segundo turno. Ele se defendeu: “a agenda ambiental dos tucanos era melhor”. Foi uma escolha firme e ideológica. Custou caro. A coragem e a integridade custam muito caro nesse país.
Diante dessa escolha, em 2018, o que me interessa:

Meio ambiente
Proteção aos animais
Incentivo ao empreendedorismo.

O plano de Bolsonaro fica muito aquém do plano do PT para estes temas. Friamente, já “desempataria” minha escolha por aqui. Procurei ser o mais factual e lógico possível, como sempre fui.

Sou de Centro-Direita.
Acredito em Liberalismo econômico e não-conservadorismo social.
Sou a favor de privatizações, do estado laico / mínimo, do aborto, da liberação de drogas, da desmilitarização da polícia. Acho que igualdade social é uma utopia, mas também defendo mais oportunidades para as minorias. E levanto minhas três bandeiras orgulhosamente, com a convicção de quem um dia vai ajudar esse país.
Sou odiado pela esquerda e isso não me incomoda nenhum pouco.
Sou relevante o suficiente para que outros incomodem com o que penso.
O que me incomoda é isso que vocês estão chamando de “DIREITA”.
Isso não é direita.
Isso é fanatismo religioso, racismo, xenofobia, discurso de ódio.
Vocês tornam o nome DIREITA uma coisa horrível e sem sentido.
Vocês não me representam. E por isso jamais terão meu apoio.

COMO AFETA AS PESSOAS QUE EU ME IMPORTO?

Minha vida e minha luta não importam. Pra vocês serei mais um paulista, branco, heterossexual, de classe média, cheio de privilégios. Nem vale a pena discutir.
Mas minha mulher é negra e índia. Tenho amigos LGBT, nordestinos, não-cristãos, ateus, etc. Há minorias que fazem parte da minha vida e que são prioridade.

Esta semana foi a gota d’água.
Meu funcionário chegou no trabalho e me disse: “Fui ameaçado no ônibus. Um homem gritava: <Aqui é Bolsonaro! Cês vão morrer tudo, seus viados!> Muita gente aplaudiu o cara. Fiquei assustado. Fingi que não era comigo. Mas é a vida né?”.
Não, não é a vida. Quando lemos a notícia do baiano que morreu esfaqueado, das pessoas agredidas, são apenas notícias. Até que isso acontece na sua própria casa, na sua vida.
Trabalho pra mim é ⅓ da minha vida. Minha equipe é minha família.
Vocês ameaçaram meu filho.

E se eu ficasse calado, no futuro, quando meus filhos me perguntarem “Papai, de que lado você estava em 2018?”, eu teria vergonha de dizer que estava do lado do Bolsonaro, onde muita gente confundiu democracia com violência. Mas eu teria mais vergonha ainda se eu tivesse ficado em cima do muro e não votasse em ninguém.
Escolhi quem, apesar de tudo, ainda preserva alguma paz para essa gente.

Voto é livre e secreto. Eu podia ter simplesmente ter ficado em silêncio. Mas desta forma eu consigo garantir que o mundo inteiro pode testemunhar o que eu estou vivendo.
Lamento a todos os eleitores raivosos do Bolsonaro e do Haddad.
Eu escolhi morrer junto dos oprimidos do que vencer com os injustos ou ser neutro.
Vou de Haddad, contra minha vontade.
E sinto muito quem não puder respeitar meu posicionamento.
A todos, nada menos que meu respeito. Jamais me rebaixaria a menos do que isso.
Que esta divisão absurda do país tenha um fim logo

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