Pobreza e riqueza na estrada da fúria

Encare os fatos: se você nasceu pobre, há grandes chances de você continuar assim.
Hoje vendem cursos e ferramentas que prometem fazer você sair desta condição.
Mas não se engane.
Requer muita coragem, esforço e determinação para romper com esse destino.
Não é impossível – só não é “para todos”, como vendem por aí.
E depende muito mais de você do que do “guru” que disse que você podia.

Não é nem um pouco difícil avaliar o quanto é lógico e racional optar pela estrada do mal.
Se você nasce em um lugar hostil, com poucas oportunidades, e precisa ir para a escola aturar pessoas arrogantes e que te olham de cima para baixo…
Se consegue um emprego onde todos te tratam feito lixo, repleto de psicopatas sendo promovidos…
Escutando aquele discurso falho de que você será bem recompensado se for uma boa pessoa…
E não encontrando nenhuma evidência concreta que suporte essa alegação…
Fatalmente, na primeira oportunidade que você perceber que o crime te dá poder e te torna importante e temido, e você poderá conseguir o que quiser – a um risco proporcionalmente parecido ao de obter sucesso honestamente em uma sociedade abismal como a nossa, pois é claro que o crime compensa.
Somando se todos esses traumas de sobrevivência – desde o bairro, a escola, até o emprego, os mecanismos de reação e compensação – e enfrentamento a esses traumas irá variar de indivíduo para indivíduo, mas frequentemente a natureza maligna irá prevalecer.

Quer dizer então que toda pessoa pobre poderá se tornar ruim?
Se assim ela quiser, mas com grande influência do próprio meio em que ela sobrevive – muitos podem escolher desta forma, e muitos sequer terão escolha e seguirão logicamente para este curso.

E quanto às pessoas ricas?
Da mesma forma, é falho afirmar que pessoas que vêm de berço, com renda adequada e sem privações – se tornarão cidadãos de bem.
Negativo.
Muitas se tornarão criminosas também, mesmo tendo todas estas oportunidades.
Não vou falar de “privilégios”. Odeio essa palavra.
Frequentemente, os pais bem sucedidos, “chegaram lá” porque fazem parte daquele seleto grupo de indivíduos que passam por cima de todos para ENTREGAR RESULTADOS, e são eficientes psicopatas, sendo promovidos e premiados por seus atos.
Os filhos aprendem com os pais que: “É legal passar por cima de todos. Você será um vencedor!”
“Somos mais importantes no trânsito!”
“Nosso bairro é melhor!”
“Nossa praia é melhor!”
“Deveria ter filas especiais para nós, vencedores, nos supermercados e estabelecimentos!”
Que boa ideia!

Essa crença irá ecoar em todas as ações da criança, que se tornará um tirano na vida adulta, manipulando todos para conseguir o que quiser, ainda que tenha um bom padrão de vida, educação e oportunidades.
Você encontra monstros mimados e estupradores que são “moços de família” nas melhores e mais caras universidades.

Deve ser frustrante investir recursos em seu filho, e mais tarde, descobrir que o Juninho é um bosta.
Tudo que você fez por ele a vida toda não serviu pra nada. Ele virou um maníaco de merda.
É a triste, porém irônica realidade de muitas famílias abastadas.
E que sofrem de vergonha com isso! 🙂

E assim seguimos fingindo que a meritocracia e a igualdade são ideais alcançáveis, e tudo que fugir disso receberá o nome de “crenças limitadoras”, vendendo a ideia de que todos podem atingir qualquer objetivo, bastando querer.
Que lindo. Tão bonito e igualmente mentiroso e enganador.
A desigualdade sempre vai existir, as promessas de combatê-la vão sempre render muitos votos e, desta forma, a política sempre encontrará espaço para manter todos esses problemas enquanto vendem as mesmas soluções, e todos permanecem no mesmo lugar, acreditando que a vida está melhorando, de alguma forma.

A verdade é que vivemos em um mundo sombrio.
As pessoas nascem com diferentes condições, e portanto terão de competir em profunda desigualdade, não bastando inflar as regras do jogo com códigos morais e éticos, sendo que óbvia e logicamente o caminho do mal é o mais atrativo e recompensador neste mundo.
Não adianta vender e pregar o contrário: os fatos estão aí para provar.
As pessoas nascem ruins.
Algumas aprendem a controlar e dominar esta natureza ruim – enquanto outras enxergam que é a única forma de avançarem é usando a própria natureza maléfica em seu favor.

É assim que a natureza funciona.
Selvagem e instintiva.
Somente nós humanos, tolos, que inventamos abstrações morais e éticas pra nos castrar de nossas próprias intenções naturalmente destrutivas.
Ignore isso por sua conta e risco.

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