As verdades que você não sabia sobre o caso Von Richthofen

No dia 24 de Janeiro a Editora Matrix lançou o livro Suzane: assassina e manipuladora – escrito pelo jornalista Ulisses Campbell.
Comprei no mesmo dia (era uma sexta-feira).
No domingo, estava lido.

suzane

Resenha – Suzane: assassina e manipuladora

Suzane Von Richthofen: um nome que a sociedade brasileira aprendeu a odiar – não somente pelo crime cometido em 2002, que causou grande apelo e tomou os noticiários da época – mas também pelos famosos indultos – as “saidinhas da cadeia”, que expõem a fragilidade e a inconsistência da justiça no Brasil.
Apesar de ter sido sentenciada a 39 anos de prisão, Suzane também recebeu um tipo de pena perpétua: as pessoas sempre vão odiá-la por default – e não fazem o menor esforço para sequer compreender toda a história dos Von Richthofen e dos irmãos Cravinhos – trabalho que o autor realiza com riqueza de detalhes.

O livro vai muito além dos fatos e dados que orbitam o assassinato de Marísia e Manfred Von Richthofen – descendente direto do famoso Barão Vermelho – lendário piloto da Primeira Guerra Mundial.
Tal qual a importância do nome desta família, o autor expõe detalhes sobre as exigências sociais que Suzane enfrentava, o que eventualmente afetou o seu relacionamento com Daniel Cravinhos (hoje Daniel Bento de Paula e Silva).

Pais amorosos jamais morrem assassinados friamente pelos filhos“.
Esta frase é atribuída ao Doutor Alvino de Sá – especialista em psicologia de mentes criminosas, abrindo o roteiro para o leitor buscar alguma imparcialidade e não ficar reduzido ao senso comum: “matou, tem que apodrecer na cadeia“.
Pode ser atribuída ao gatilho maior, na história de frequentes desentendimentos entre pais e filha.
Ao se desentender com os pais sobre o futuro do relacionamento com o namorado, Suzane recebe um tapa no rosto – em pleno dia das mães, em 2002.
Seu pai nunca havia feito isso antes.
Sua mãe ficou perplexa.
Daí em diante, é uma espiral trágica com o desenrolar dos fatos que resultam no planejamento do assassinato dos próprios pais, e a participação dos irmãos Cravinhos.

Os irmãos Cravinhos se mostram frágeis e emocionalmente instáveis – facilmente manipulados por Suzane, que mostra capacidade de planejamento e controle emocional superior ao padrão de criminosos.
Com uma mentira elaborada (não vou dar spoiler), ela convence Daniel a executar o crime.
Eles já estavam quase desistindo – e a história poderia ter sido outra.

O livro também conta sobre a vida de Suzane na prisão; as estratégias usadas para sobreviver no cárcere, reduzir sua pena e conquistar as liberdades condicionais e indultos.
Faço destaque às histórias menores – as crônicas de algumas mulheres e como foram parar na cadeira; histórias tristes e assustadoras, que enriquecem ainda mais o universo da protagonista e dos coadjuvantes, convidando o leitor a refletir sobre a condição dos presidiários – com suas origens e motivações, sem tentar simplificar a questão carcerária no Brasil, colocando todos em uma caixinha – de novo, o senso comum: “matou, tem que apodrecer na cadeia“.

A história se encerra mostrando como Suzane conduz sua reputação e aproveita as oportunidades para – em breve, viver em liberdade e construir uma nova imagem – associada à religião adquirida em cárcere e à família com quem faz planos.

Anos depois, ela já é uma celebridade do crime e ainda causa bastante furor quando seu nome percorre os noticiários.
Em certo ponto, reclamando dos espetáculos midiáticos em torno de seu nome, Suzane encontra apoio nas palavras da juíza Sueli Zeraik: “(…) a mesma vem sendo vítima da saga de vingança de expressiva parcela da sociedade civil organizada, cruel e hipócrita, que projeta nela seus recalques e outras mazelas“.

Se você perguntar pra qualquer pessoa comum “o que você acha da Suzane Von Richthofen”, muito provavelmente a resposta será “matou, tem que apodrecer na cadeia“.
O livro não pretende alterar o seu julgamento ou opinião sobre o tema, mas garante uma amplitude na compreensão dos fatos que certamente fará você pensar no próximo nível sobre esta história.

Leitura complementar

Na página Universa, do portal UOL, você pode encontrar mais detalhes e trechos sobre o livro.
Aviso que tem muitas revelações e surpresas nessa matéria, que podem estragar a experiência e o impacto da primeira leitura.

Se você curtiu esse texto, passe adiante – compartilhe com o máximo de pessoas que possam se beneficiar desta informação.

Até a próxima!

DB

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