Cinquenta Tons De Centro

Este artigo foi originalmente publicado no portal Covil Da Discórdia, em 29/05/2016 – site descontinuado. Decidi reescrever este artigo, trazendo o contexto atual vivido pelos brasileiros. 

Mais uma vez estamos vivendo a guerra “Direita X Esquerda”.
Com agravantes no discurso dos dois lados.
Direita classifica tudo como extrema-esquerda. “Discorda de mim? É comunista“.
Esquerda resume tudo a extrema-direita. “São fascistas no poder“.
Isso induz a população à desinformação.

Ambos estão errados.

Em política, polarização é tudo.
Lula, por muitos anos, usou o discurso “nós contra eles“, se referindo a classe trabalhadora (nós) contrária aos interesses da chamada elite brasileira (eles) – grandes empresas, emissoras de TV, ricos, etc.
Hoje, Bolsonaro e seus apoiadores fazem o mesmo – ao rotularem todos os que pensam de forma diferente como esquerdistas ou comunistas. Inclusive citam o termo “extrema-imprensa” – e isso apenas contribui para desinformar ainda mais a população.

Vamos esclarecer as coisas.

Esquerda: foco em igualdades sociais, nos empregados (trabalhadores), na regulamentação dos mercados e serviços básicos – exigindo um maior papel do Estado na manutenção desta sociedade. A prioridade é o bem-estar coletivo.

Direita: foco em liberdades individuais, nos empregadores (empreendedores), na liberação dos mercados, exigindo menor intervenção do Estado na garantia desses direitos, e menor investimento em serviços públicos. A prioridade é o bem-estar individual.

Se acabasse aqui, seria uma brutal simplificação das ideias políticas, e violaria um princípio básico da democracia brasileira – que é o multipartidarismo.

Partidos defendem ideias e representam camadas e setores da população.
A combinação desses interesses nem sempre significa “somente isso” ou “somente aquilo”.

Assim, podemos ter combinações ideológicas das duas direções.
É possível ter liberdades econômicas típicas da direita, combinadas com liberdades sociais da esquerda. É possível ainda existir um governo centrista, que não enfatiza nenhum dos lados, e opta por avaliar o que é melhor de acordo com o momento e circunstância do país.

O centro funciona como uma corrente mais moderada, podendo ser ainda desdobrado em centro-esquerda e centro-direita – conforme as inclinações moderadas em direção a uma das correntes. Centro-esquerda é uma esquerda mais moderada. Centro-direita é uma direita mais moderada.

E quanto aos radicais?

Aí temos finalmente a extrema-esquerda e extrema-direita.
Friamente falando, a constituição brasileira permite que existam partidos de ideologia radical, desde que funcionem em ambiente democrático, respeitando todos os princípios de um Estado de Direito.

Então qual o problema nos extremos?

Quando um partido levanta uma bandeira radical, ele traz consigo todo o preconceito histórico dos regimes autoritários que levantaram as mesmas bandeiras – Comunismo, Fascismo, Nazismo, etc.
Em política, é uma forma de desqualificar o opositor classificá-lo como extrema-esquerda ou extrema-direita, desconsiderando as suas verdadeiras convicções.

Nos Estados Unidos é bem simples a divisão:
Esquerda: Democratas (Obama, Clinton, Roosevelt).
Direita: Republicanos (Trump, Bush, Nixon).

Já no Brasil o espectro é mais complicado.
Os partidos se reorientam o tempo todo para ocupar o espaço político conforme a situação e necessidade – e isso confunde os eleitores.

Um artigo da BBC ajuda a classificar o “inclassificável”.

O PT é um partido originalmente de esquerda, com sua base trabalhista.
Já foi mais radical na sua origem, mas teve de se adaptar ao longo de seus governos, entre 2003 e 2016 – tendo se posicionado muitas vezes como centro-esquerda.
Vários dissidentes de base marxista deixaram o PT e fundaram o PSOL, que hoje ocupa uma esquerda mais atuante.

Na extrema-esquerda temos os partidos mais fiéis às suas ideologias: causa operária, socialismo, etc. Exemplos: PCO, PCB e PSTU.

O PSDB tem sua essência na centro-esquerda, mas praticou muito mais um posicionamento de direita e centro-direita ao longo dos anos – inclusive atualmente.
Na centro-esquerda temos hoje o PSB, sendo um dos principais partidos de oposição.

O DEM hoje é um partido de centro-direita, mas começou como o PFL – que era um partido de teoria liberal, tendo já ocupado a direita “pura” nos anos 90 e 2000. Hoje o DEM lidera o chamado “centrão” – que por sua vez, não é formado por partidos centristas, com sua maioria sendo de centro-direita. Aqui podemos incluir o MDB (antigo PMDB) e o PSD como exemplos.

A direita “pura” ficou adormecida nas duas últimas décadas.
Hoje, é representada mais fielmente pelo PSL e o Partido Novo, com ideais neoliberais.
Pela postura radical, armamentista e militarista de alguns deputados, ou do próprio Presidente, o PSL é frequentemente classificado como extrema-direita. Cabe lembrar que o PSL era uma legenda com pouca expressividade até as eleições de 2018, quando então vários candidatos se filiaram junto com o atual Presidente, Jair Bolsonaro.

Portanto, não se pode “rotular” um partido – como estão fazendo nas discussões, sob risco de desqualificar ou classificar de forma errada uma ideologia – muitas vezes itinerante no cenário político brasileiro.

Reforço ainda que os exemplos acima podem ficar rapidamente obsoletos.

Tem também esse teste aqui que ajuda a visualizar se você tem uma aproximação de Esquerda, Centro ou Direita. Confira.

Se você curtiu esse texto, passe adiante – compartilhe com o máximo de pessoas que possam se beneficiar desta informação.

Até a próxima!

DB

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